Entenda quando o excesso de pele pode impactar o dia a dia e quais são as possibilidades de tratamento
Mudanças importantes no corpo costumam representar grandes conquistas. O emagrecimento após anos de dedicação, a recuperação depois da gestação ou mesmo a adoção de hábitos mais saudáveis transformam a saúde e a qualidade de vida.
No entanto, essas mudanças também podem trazer novos desafios. Um deles é o excesso de pele, uma condição frequentemente associada apenas à estética, mas que também pode provocar desconfortos físicos e interferir na rotina.
Casos como o da bailarina e influenciadora Thais Carla, conhecida por sua trajetória de ativismo contra a gordofobia, ajudam a ilustrar esse cenário. Após passar por uma cirurgia bariátrica e perder 75kg, ela passou a compartilhar com o público os desafios da nova fase.
Entre eles, o excesso de pele no abdômen e nas costas, que chegou a atrapalhar sua rotina de treinos e exigiu adaptações no dia a dia. O relato expõe um tema que muitas pessoas enfrentam em silêncio e que, em alguns casos, exige acompanhamento médico.
Embora cada organismo responda de maneira diferente às transformações corporais, especialistas explicam que a flacidez intensa e a sobra de pele podem comprometer desde a prática de atividades físicas até o bem-estar emocional.
Por isso, compreender as causas e conhecer as possibilidades de tratamento é um passo importante para quem busca qualidade de vida após grandes mudanças no corpo.
Por que o excesso de pele pode surgir após grandes mudanças no corpo?
A pele possui fibras de colágeno e elastina responsáveis por sua capacidade de esticar e retornar ao formato original. Porém, quando permanece distendida por longos períodos ou sofre mudanças muito rápidas de volume, essa elasticidade pode ser comprometida.
É por esse motivo que pessoas que passam por emagrecimento expressivo ou gestação podem apresentar excesso de pele, especialmente quando há uma grande alteração no tamanho do abdômen e de outras regiões do corpo.
Diversos fatores influenciam esse processo. A quantidade de peso perdida, o tempo em que a pessoa permaneceu acima do peso, a idade, fatores genéticos, hábitos de vida e até o tabagismo podem reduzir a capacidade de recuperação da pele.
Emagrecimento significativo e gestação estão entre as principais causas
Após grandes perdas de peso, principalmente depois de cirurgias bariátricas ou processos prolongados de emagrecimento, é comum que a pele não acompanhe totalmente a nova silhueta. O mesmo pode ocorrer durante a gravidez, quando o crescimento abdominal provoca uma distensão intensa da pele e da musculatura.
Além do abdômen, braços, coxas, mamas e costas também podem apresentar excesso de pele. A intensidade varia de pessoa para pessoa e depende das características individuais, tornando impossível prever exatamente como cada organismo responderá às mudanças corporais.
Quais impactos o excesso de pele pode trazer para a rotina?
Muito além da aparência, o excesso de pele pode interferir em diferentes aspectos do cotidiano. Em algumas situações, as dobras favorecem o acúmulo de suor e umidade, aumentando o risco de assaduras, irritações e infecções por fungos ou bactérias.
Também são frequentes relatos de dificuldade para praticar exercícios físicos, desconforto ao caminhar, limitação de movimentos e incômodo ao utilizar determinadas roupas. Essas situações podem fazer com que algumas pessoas deixem de realizar atividades importantes para manter a própria saúde.
Além dos impactos físicos, o excesso de pele pode influenciar a relação com o próprio corpo. Mesmo após atingir um peso saudável, algumas pessoas continuam enfrentando inseguranças que dificultam aproveitar plenamente os resultados conquistados.
A relação entre autoestima e qualidade de vida
A autoestima não depende exclusivamente da aparência, mas está diretamente ligada à forma como cada pessoa percebe o próprio corpo e vive suas experiências diárias.
Quando o excesso de pele provoca desconforto constante ou impede atividades simples, como frequentar uma academia, ir à praia ou escolher uma roupa sem preocupação, o impacto emocional pode ser significativo.
Especialistas ressaltam que cuidar dessas questões também faz parte da promoção da saúde. O bem-estar envolve aspectos físicos, psicológicos e sociais, e todos merecem atenção durante o processo de recuperação após grandes mudanças corporais.
Quando a cirurgia pode ser considerada uma alternativa?
Nem sempre alimentação equilibrada, exercícios físicos e fortalecimento muscular conseguem eliminar o excesso de pele. Isso acontece porque a pele excedente não volta ao lugar apenas com perda de gordura ou ganho de massa muscular.
Segundo a cirurgiã plástica Dra. Luciana Pepino, nesses casos pode existir indicação para procedimentos específicos voltados à correção da flacidez abdominal e da sobra de pele. A especialista explica que existem diferentes técnicas cirúrgicas, definidas de acordo com as características de cada paciente.
Ela destaca que o objetivo do procedimento é remover o excesso de pele e gordura da região abdominal, melhorar a flacidez e, em determinadas situações, corrigir o afastamento dos músculos do abdômen, conhecido como diástase. No entanto, existem diversas técnicas, e cada uma possui indicações específicas, tornando indispensável uma avaliação individualizada.
Também é importante esclarecer que esse tipo de cirurgia não deve ser entendido como tratamento para emagrecimento. O procedimento costuma ser indicado para pacientes que já passaram por mudanças corporais importantes e apresentam indicação médica baseada em critérios clínicos.
A avaliação com um especialista é fundamental para definir o tratamento adequado
Cada paciente apresenta uma história diferente, assim como objetivos, características físicas e condições de saúde próprias. Por isso, a decisão sobre qualquer tratamento precisa ser tomada após avaliação médica completa.
Segundo a Dra. Luciana Pepino, compreender as necessidades individuais é essencial para definir a melhor abordagem, respeitando tanto os limites do organismo quanto os objetivos de cada pessoa.
Quando existe recomendação clínica, a abdominoplastia pode representar uma alternativa para remover o excesso de pele, melhorar a funcionalidade da região abdominal e contribuir para a recuperação do conforto e da qualidade de vida, sempre com planejamento individualizado e acompanhamento de um especialista.




