Preços de carros usados desaceleram no Brasil e alta fica em 0,36% no terceiro trimestre

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Índice do banco BV mostra ritmo mais moderado nos valores dos veículos de segunda mão


O mercado de carros usados começa a mostrar sinais mais claros de desaceleração nos preços. O IBV Auto, índice do banco BV que acompanha a evolução dos valores dos automóveis leves usados no Brasil, registrou alta de apenas 0,36% no terceiro trimestre de 2026, entre julho e setembro. O resultado representa uma redução significativa em relação ao avanço de 1,27% observado no segundo trimestre deste ano e também ficou bem abaixo dos 2,04% registrados no mesmo período de 2025.

De acordo com o banco BV, o resultado do terceiro trimestre de 2026 é o menor avanço trimestral desde o primeiro trimestre de 2025. Considerando especificamente os terceiros trimestres, a variação deste ano se iguala à registrada em 2019, quando teve início a série histórica do indicador.

Mercado começa a encontrar um novo equilíbrio

A desaceleração ocorre em um cenário de maior concorrência entre os veículos novos e usados. As promoções e condições comerciais oferecidas pelas montadoras, especialmente com a chegada de novos modelos ao mercado brasileiro, têm aumentado a competição e levado parte dos consumidores a considerar a compra de um carro zero-quilômetro em vez de um seminovo.

Para Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, o comportamento do índice mostra uma mudança no ritmo do mercado. Segundo ele, a atividade mais moderada e a maior competição entre os veículos novos tornam o ambiente menos favorável para reajustes expressivos nos preços dos usados.

O movimento também aparece nos números acumulados. Entre janeiro e setembro, os carros usados registraram alta de 3,86% em 2026, abaixo dos 4,05% verificados no mesmo período do ano passado. Nos últimos 12 meses, entretanto, a alta acumulada chega a 5,12%.

Setembro teve alta de 0,30%

Os dados mais recentes do índice mostram que o mercado apresentou uma pequena recuperação em setembro. Naquele mês, os preços dos automóveis usados avançaram 0,30%, depois de uma queda de 0,01% em agosto.

Entre os modelos que mais contribuíram para a alta de setembro estavam o Renault Sandero, com avanço de 1,88%, o Volkswagen Gol, que subiu 1,51%, e o Hyundai Creta, com alta de 1,39%.

Na direção oposta, alguns veículos exerceram pressão negativa sobre o indicador. Foi o caso da Toyota Hilux SW4, que registrou queda de 1,60%, do Honda HR-V, com recuo de 1,19%, e do Volkswagen Polo, que caiu 0,97% no período.

Centro-Oeste registra alta de 0,56%

Apesar da desaceleração nacional, o comportamento dos preços não foi igual em todas as regiões brasileiras. No terceiro trimestre, o Nordeste apresentou a maior alta, de 0,69%, seguido pelo Centro-Oeste, com avanço de 0,56%, e pelo Sul, com 0,52%.

No Sudeste, a variação foi praticamente estável, com alta de apenas 0,03%. Já o Norte foi a única região a registrar queda no período, de 0,19%. A diferença chama atenção porque, no segundo trimestre, todas as regiões haviam registrado aumentos superiores a 1%.

Para quem está em Brasília e no Distrito Federal, o resultado do Centro-Oeste é um indicador relevante, embora não signifique que todos os modelos ou negociações tenham seguido exatamente esse percentual. O IBV Auto representa o comportamento médio dos veículos analisados na região.

Elétricos enfrentam maior perda de valor

Outro destaque do levantamento está relacionado aos veículos elétricos. Entre os modelos lançados em 2023, os elétricos acumulam desvalorização próxima de 47% até setembro, enquanto os híbridos registram perda de 27,89%. Nos modelos a combustão comparáveis, a desvalorização chega a 22,20%.

Segundo o banco BV, a forte perda de valor dos elétricos está relacionada principalmente à redução dos preços de veículos novos e ao aumento da concorrência no segmento. A chegada de novos modelos e a disputa por preços acabam influenciando também o valor de revenda dos veículos usados.

O que o cenário significa para quem pretende comprar

A desaceleração não significa necessariamente que os carros usados estejam ficando mais baratos. O que os números mostram é que os preços continuam subindo, mas em ritmo menor. Para o consumidor, isso pode representar um ambiente mais favorável para pesquisar, comparar ofertas e negociar.

A maior oferta de veículos novos e a competição entre marcas também podem aumentar o poder de negociação de quem procura um seminovo. Ao mesmo tempo, o comportamento varia bastante de acordo com o modelo, ano, conservação, quilometragem e região.

O vice-presidente de Varejo do banco BV, Jamil Ganan, avalia que os resultados apontam para uma normalização gradual do mercado, com menor pressão sobre os preços dos usados diante da maior oferta e concorrência entre os veículos novos.

O cenário, portanto, é de desaceleração e maior equilíbrio, e não de uma queda generalizada nos preços. Para o comprador brasiliense, a tendência reforça a importância de pesquisar diferentes lojas, comparar veículos semelhantes e negociar antes de fechar negócio.