Carnaval coletivo exalta o Cerrado e conquista foliões

Sonoridade pede passagem
Sob as copas das árvores, o Calango tem fanfarra própria. Ali, é a Orquestra Camaleônica quem ditou o ritmo bem marcado pelo sopro dos trompetes, trombones, saxofones e potente percussão.
No repertório, muito ciranda, frevo, maracatu e hits da música popular brasileira (MPB). A canção Lucro, do grupo BaianaSystem, e Frevo Mulher, de Zé Ramalho, já viraram clássicos ecoados pelos foliões aos pulos.
Não há cordas ou abadás. A interação é bem próxima entre músicos e público, como a da estudante Mariana Junqueira Marini, de 15 anos, fantasiada de uma personagem do desenho Backyardigans.
“Minha mãe sempre me levou para o carnaval, mas eu não curtia muito. Agora, gosto mais porque venho com minhas amigas.”
Amiga que não economizou na tinta azul para ficar parecida com o personagem de infância, como conta Isis Frank Rocha, de 16 anos.
“Minha mãe ajudou a me pintar. Eu gosto de brincar no carnaval, de ser engraçada. Não é só para ficar bonita.”
Vibração sem idade
O Calango Careta mistura no mesmo espaço crianças pequenas, jovens e idosos.
Pela primeira vez, a performance do grupo fisgou a fisioterapeuta Gabriela Barcellos, grávida de 8 meses de Henrique. Os planos dela são de criar o filho curtindo o carnaval, ao lado da enteada de 6 anos, que vai ao bloco interessada em jogar espuma e confetes para cima.
“Aqui em Brasília, a cultura do carnaval tem aumentado bastante.”
Há anos, quem vem guiada pelo estandarte colorido do Calango é a aposentada Mara Carvalho. Aos 75 anos, ela trouxe para mais um carnaval a filha, o genro e o neto. A missão é perpetuar a tradição.
“Desde pequenininha, eu gosto muito de carnaval. Minha mãe, minha irmã, meu irmão, todo mundo brincava.”
A folia da dona Mara não terminou no Calango Careta. Nesta terça-feira, ela promete emendar pelas ruas de Brasília outro bloco, o Pacotão, famoso pela sátira política.
Calango Careta
Desde 2015, é tradição que o local de saída do Calango Careta às ruas seja divulgado horas antes do cortejo, para criar expectativa.
O Calango Careta também inspirou até fábulas escolares locais, como A Fábula do Calango Careta ou a Folia de Mil Dias, usada em escolas da Asa Norte para ensinar sobre cultura popular, pertencimento e ocupação pública.
Na sexta-feira (20), será exibido em sessão única no Cine Brasília o documentário Calango Careta: 10 Anos de Eterno Carnaval, que conta a história de um grupo de amigos que construiu um calango gigante para brincar o carnaval nas ruas de Brasília e se tornou um dos ícones da cidade. O bloco que virou movimento, a brincadeira que virou tradição.
https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2026-02/calango-careta-ocupa-brasilia-com-alegorias-orquestra-e-arte-circense







