
Escala 6×1 foi um dos principais temas debatidos na oportunidade
A Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação (Febrac) promoveu na noite desta terça-feira, dia 10, o primeiro jantar do ano, voltado para parlamentares, lideranças sindicais e organizações parceiras. Ao todo, participaram do evento cerca de 50 pessoas, entre elas os deputados Coronel Ulysses (União-AC), Leo Prates (PDT-BA), Luiz Gastão (PSD-CE) e Rafael Pezenti (MDB-SC), além do ex-prefeito de Assú (RN), Ivan Lopes Jr.

Deputado Rafael Pazenti (MDB-SC) e o presidente da Febrac, Edmilson Pereira – Créditos Felipe Fernandes
“A Febrac representa um segmento que, muitas vezes, não aparece no centro dos debates públicos, mas está presente em praticamente todos os ambientes da vida econômica e social do país. Geramos milhões de empregos, com registros de saldos positivos frequentemente.
É justamente por essa responsabilidade que acompanhamos com atenção o debate em curso no Congresso Nacional sobre a proposta de extinção da escala 6×1. Não há dúvida de que discutir qualidade de vida, equilíbrio entre trabalho e melhores condições para o trabalhador é um tema legítimo. Esse é um debate que merece respeito e profundidade”, afirmou o presidente Edmilson Pereira, presidente da Febrac.
Mas mudanças estruturais nas relações de trabalho exigem cautela. O setor de facilities opera com contratos muitas vezes vinculados a licitações públicas e privadas, margens reduzidas e elevada carga tributária sobre a folha. Estudos recentes indicam que a redução da jornada sem redução salarial pode elevar significativamente os custos do setor. Em alguns segmentos, esse impacto pode superar 20%. No conjunto do setor de serviços, estimativas apontam para custos adicionais que podem alcançar centenas de bilhões de reais.
“Quando uma mudança dessa magnitude ocorre de forma abrupta, sem transição planejada e sem medidas compensatórias, o efeito pode ser exatamente o oposto do que todos desejamos: pressão sobre contratos, aumento de custos, repasse de preços ao consumidor e risco para a manutenção de empregos formais. Por isso, a posição da Febrac é clara. Defendemos que qualquer discussão sobre jornada de trabalho seja conduzida com base em diálogo técnico, análise de impactos e construção responsável de soluções”, complementa.
O Brasil possui instrumentos importantes para isso, especialmente a negociação coletiva. Ela permite que empregadores e trabalhadores encontrem caminhos equilibrados, respeitando as especificidades de cada setor e garantindo segurança jurídica.
Segundo o presidente, neste contexto, o Congresso Nacional tem um papel decisivo nesse processo. “Os nossos parlamentares são os responsáveis por construir soluções legislativas que conciliem proteção ao trabalhador, estabilidade econômica e um ambiente de negócios capaz de continuar gerando empregos. Nosso pedido é simples: que esse debate seja conduzido com o tempo, a responsabilidade e a profundidade que o tema exige”, afirma, lembrando que decisões tomadas sem considerar a realidade dos setores produtivos podem produzir efeitos que atingem exatamente aqueles que todos queremos proteger: os trabalhadores.
Sobre a Febrac – A Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação (Febrac) foi criada para representar os interesses dos setores de serviços de Asseio e Conservação. Hoje, representa 12 setores ligados à terceirização de mão de obra especializada.
Com sede em Brasília, a federação agrega sindicatos nas 27 unidades federativas do país e ocupa cargos na Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), nos Conselhos Nacionais do SESC e do SENAC, na Central Brasileira de Apoio ao Setor de Serviços (CEBRASSE) e na Câmara Brasileira de Serviços Terceirizáveis e na World Federation of Building Service Contractors (WFBSC). A Febrac tem como objetivo cuidar, organizar, defender e zelar pela organização das atividades por ela representadas.
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