“Um outro olhar para a leitura dramatizada no Jardim” utiliza teatro e a musicalidade para estimular novas formas de comunicação e percepção
Até 11 de novembro, estudantes de escolas públicas do Jardim Botânico vivem uma experiência diferente com o teatro. É o projeto Um outro olhar para a leitura dramatizada no Jardim. Desde o início de agosto, a iniciativa tem ampliado as possibilidades de contato desses jovens com diferentes formas de comunicação e percepção do mundo. Nesta etapa, os alunos são convidados a conhecer o sistema Braille, aproximando-se de uma vivência que vai além da leitura tradicional e promove reflexão sobre acessibilidade, autonomia e inclusão.
Idealizado e produzido pelo ator e arte-educador Thiago de Moraes, o projeto parte da ideia de que compreender um texto vai muito além de decifrar palavras. Agora, a proposta pretende subverter o ato tradicional de ler e expandir a percepção para além dos olhos. A ação utiliza a arte, o teatro e a musicalidade em cena como ferramentas para estimular os estudantes a terem uma percepção mais ampla sobre as diferentes formas de interação e comunicação.
“A introdução ao universo Braille despertou nos estudantes um misto de estranhamento inicial e profundo interesse. Por ser o primeiro contato de muitos alunos com o sistema de leitura tátil, a experiência provocou uma quebra na percepção tradicional de leitura, gerando uma recepção positiva que se repete desde a primeira edição do projeto”, explica Thiago de Moraes. A experiência com a Libras segue essa mesma perspectiva de ampliar repertórios e romper com a ideia de que existe apenas uma maneira de se comunicar. Ao entrar em contato com a língua de sinais, os estudantes são estimulados a perceber a comunicação também por meio do corpo, dos gestos, das expressões e da atenção ao outro.
Para Thiago, experiências como essa têm papel importante na construção de uma sociedade mais inclusiva. “Projetos dessa natureza são instrumentos fundamentais para combater o desconhecimento e desmistificar preconceitos. O preconceito contra a pessoa com deficiência visual nasce, quase sempre, da falta de convivência”, afirma.
A ação também é marcada pela atuação dos professores Fernando Rodrigues e Gabriela Passos. Pessoa com deficiência visual, Fernando leva para a sala de aula não apenas o conhecimento técnico do sistema, mas também suas próprias experiências e vivências, aproximando os estudantes de uma perspectiva que rompe com a ideia da deficiência como sinônimo de limitação. Ao lado de Gabriela, que conduz as atividades de maneira didática e empática, o professor transforma as aulas em espaços de diálogo, troca e sensibilização. A convivência direta com os educadores permite que os alunos compreendam o Braille a partir da autonomia e da potência, ampliando a percepção sobre diferentes formas de ler, criar e interagir com o mundo.
Durante o processo, os alunos também são convidados a refletir sobre a importância da comunicação acessível e sobre como a inclusão depende da participação de toda a sociedade. “O Braille, o teatro e a literatura servem como um ensaio para a vida real. Ao despertar a sensibilidade dos estudantes para a realidade do próximo, o projeto exercita ‘um outro olhar’ sobre a leitura e a sociedade, capacitando os jovens a construírem um futuro livre de preconceitos”, declara o idealizador.
Inspirado na obra Eles Não Usam Black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, leitura indicada pelo Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília (UnB), o projeto reúne 60 estudantes do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio a conhecerem o livro para além da leitura convencional. Durante três meses, eles participam de oficinas de teatro, musicalidade na cena e introdução ao sistema Braille, culminando em apresentações abertas no Centro Educacional Jardim Mangueiral e Centro de Ensino Fundamental 01 do Jardins Mangueiral.
SERVIÇO – Um outro olhar para a leitura dramatizada no Jardim
Data: Até 11 de novembro
Local: Centro Educacional Jardim Mangueiral e Centro de Ensino Fundamental 01 do Jardins Mangueiral
FICHA TÉCNICA:
Direção: Thiago De Moraes
Produção: Marília Abreu, Jamila Brasil
Assistente de Produção: Tinaiana Costa
Oficina De Teatro: Annaju Carvalho
Oficina De Musicalidade: Joan Lucas Santos
Oficina De Braille: Gabriela Passos, Fernando Rodrigues
Design: Halline Medeiros
Fotografia: Sabrina May
Trapézio Comunicação




