IPCA de Brasília sobe 0,89% em setembro e registra maior alta desde fevereiro de 2025

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O grupo alimentação e bebidas apresentou crescimento de 1,28% em setembro, revertendo a queda observada no mês anterior. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Fim do bônus na conta de luz e aumento nos preços dos alimentos contribuíram para a aceleração da inflação na capital federal


A inflação em Brasília acelerou em setembro de 2026. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,89%, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (9/10). O resultado ficou acima da média nacional, de 0,82%, e representou a maior variação mensal na capital desde fevereiro de 2025, quando o indicador atingiu 1,38%.

O avanço ocorreu após a leve deflação de 0,02% registrada em agosto deste ano. Em setembro de 2025, o índice havia subido 0,41%. Com o resultado mais recente, Brasília acumula inflação de 3,98% em 2026 e de 4,91% nos últimos 12 meses.

Energia elétrica pressiona a inflação

Entre os nove grupos de produtos e serviços analisados pelo IBGE, oito apresentaram elevação nos preços. O principal impacto veio de habitação, cuja variação foi de 2,32%, contribuindo com 0,31 ponto percentual para o índice geral.

A energia elétrica residencial foi o item que mais pesou individualmente na inflação do mês, com aumento de 8,78% e impacto de 0,24 ponto percentual. A alta está relacionada ao encerramento do Bônus de Itaipu, aplicado nas contas de agosto, e à manutenção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Também houve reajustes no aluguel residencial, com elevação de 1,12%, e nas taxas de condomínio, que avançaram 0,28%.

Alimentos básicos ficam mais caros

O grupo alimentação e bebidas apresentou crescimento de 1,28% em setembro, revertendo a queda observada no mês anterior. A alimentação consumida em casa subiu 1,51%, com destaque para o limão, que ficou 47% mais caro, e o tomate, com alta de 36,52%. A cebola também registrou aumento expressivo, de 18,22%.

Entre os demais produtos, o arroz teve reajuste de 4,90%, enquanto o pão francês subiu 2,66%.

Por outro lado, alguns alimentos ficaram mais baratos. A melancia teve redução de 14,16%, seguida pelo mamão, com queda de 9,49%, pela banana-d’água, que recuou 8,77%, e pela banana-prata, com diminuição de 3,46%.

A alimentação fora de casa também apresentou elevação, de 0,94%. Nesse segmento, as refeições ficaram 1,05% mais caras, enquanto os lanches tiveram aumento de 0,92%.

Transportes sobem, enquanto móveis e eletrodomésticos recuam

O grupo transportes registrou alta de 0,78% em setembro. Entre os principais responsáveis pelo resultado estão as passagens aéreas, que aumentaram 6,27%, os serviços de conserto de automóveis, com avanço de 1,56%, e a gasolina, que ficou 1,33% mais cara.

Em sentido contrário, os preços de automóveis usados caíram 2,73%. O seguro voluntário de veículos apresentou redução de 2,69%, enquanto os automóveis novos tiveram queda de 0,75%.

Artigos de residência foi o único dos nove grupos pesquisados a registrar variação negativa, de 0,28%. A retração foi influenciada pela redução nos preços de móveis para copa e cozinha (-2,89%), móveis para sala (-2,45%), refrigeradores (-1,42%) e móveis para quarto (-1,29%).

Como o IBGE calcula o IPCA

O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980 e acompanha a variação dos preços de produtos e serviços consumidos por famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos. O indicador abrange dez regiões metropolitanas e seis municípios, incluindo Brasília.

Para o resultado de setembro de 2026, foram comparados os preços coletados entre 1º e 29 de setembro com aqueles registrados no período de 31 de julho a 31 de agosto. O índice é utilizado para acompanhar a inflação e avaliar as mudanças no custo de vida da população.