Outubro Rosa: câncer de mama é o mais frequente entre mulheres no Brasil

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Dra. Mariana Fiori, médica cirurgiã mastologista e professora do curso de Medicina do UNICEPLAC, destaca a importância da prevenção, do rastreamento e do diagnóstico precoce


O câncer de mama permanece como um dos principais desafios para a saúde da mulher no Brasil. Para o triênio de 2026 a 2028, são estimados cerca de 78.610 novos casos da doença por ano no país, segundo levantamento do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Durante o Outubro Rosa, campanha realizada anualmente para ampliar a conscientização sobre a doença, especialistas reforçam a importância da adoção de hábitos saudáveis, do acompanhamento médico e, principalmente, do diagnóstico precoce.

Conhecer o próprio corpo é uma das formas de perceber possíveis alterações nas mamas. A orientação é que as mulheres estejam atentas, durante atividades cotidianas, como o banho ou a troca de roupa, a sinais como caroços ou nódulos, pele avermelhada ou com aspecto de “casca de laranja”, alterações no mamilo, saída espontânea de secreção e presença de nódulos nas axilas ou no pescoço.

Essa observação, no entanto, não substitui o acompanhamento médico nem os exames de rastreamento. Conhecer as próprias mamas ajuda a identificar mudanças e a buscar avaliação profissional diante de qualquer alteração.

Para a Dra. Mariana Fiori, médica cirurgiã mastologista e professora do curso de Medicina do Centro Universitário UNICEPLAC, é importante não esperar o surgimento de sintomas para procurar atendimento. “As mulheres não devem esperar algum sinal de anormalidade na mama para fazer seu rastreamento, pois, quando aparecem, normalmente correspondem a uma doença mais avançada e, em termos de chance de cura, queremos o diagnóstico mais precoce possível. Porém, se sinais como nódulo palpável, inversão do mamilo ou espessamento da pele aparecerem, a recomendação é buscar imediatamente uma avaliação médica”, explica.

Mamografia

Nesse processo, a mamografia desempenha papel fundamental, já que pode identificar alterações antes mesmo do aparecimento de sintomas ou da formação de um nódulo palpável.

“A mamografia é um dos exames que mais salvam vidas. Ela é capaz de identificar alterações muito precoces do câncer, antes mesmo que um nódulo tenha se formado. É por conta dessa possibilidade de diagnóstico precoce que conseguimos aumentar as taxas de cura”, destaca a mastologista.

Segundo a médica, a recomendação é realizar a mamografia anualmente a partir dos 40 anos. Mulheres com histórico familiar ou outros fatores de risco devem conversar com o médico para uma avaliação individualizada e a definição da estratégia de acompanhamento mais adequada. Os cuidados também passam pela adoção de hábitos saudáveis. Embora existam fatores de risco que não podem ser modificados, como idade, histórico familiar e algumas características reprodutivas, outros estão relacionados ao estilo de vida e podem ser reduzidos.

“Sabemos que existem fatores de risco modificáveis e que, com bons hábitos, conseguimos reduzir significativamente o risco. Entre eles estão manter o peso adequado, praticar atividade física moderada e regularmente, não ingerir bebidas alcoólicas e evitar o consumo de alimentos embutidos”, afirma a Dra. Mariana.

Informação ajuda a combater mitos

Além da prevenção e do diagnóstico precoce, o acesso à informação é importante para combater mitos que ainda cercam o câncer de mama. Um deles é a ideia de que receber o diagnóstico representa uma sentença de morte. Os avanços na detecção e no tratamento da doença, especialmente quando identificada precocemente, mudaram esse cenário. “Hoje, contamos com taxas de cura superiores a 95% quando tratamos a doença em estágio inicial”, ressalta a médica.

Outro mito recorrente é o de que a mamografia poderia provocar câncer. “Temos muita segurança em dizer que a realização do exame anual, a partir dos 40 anos, salva vidas”, afirma a professora do UNICEPLAC.

Os avanços da medicina também ampliaram as possibilidades de tratamento. Atualmente, as estratégias são definidas de acordo com as características da doença e podem incluir hormonioterapia, imunoterapia, quimioterapia, radioterapia e diferentes modalidades cirúrgicas.

Faro Criativo