Déficit de talentos intensifica a disputa por profissionais especializados no setor de tecnologia, avalia Dhiego Soares, presidente do Global Tech Institute
O mercado brasileiro de tecnologia enfrenta uma contradição: empresas têm dificuldade para encontrar profissionais qualificados, enquanto especialistas em determinadas áreas recebem remunerações que chegam a R$ 27,1 mil mensais. Projeções da Brasscom para o período de 2021 a 2025 indicavam que o Brasil formava cerca de 53 mil profissionais de tecnologia por ano, diante de uma demanda estimada em 159 mil posições anuais. O cenário representava uma diferença de 106 mil profissionais entre a necessidade projetada e a formação anual.
A escassez de talentos intensifica a disputa por trabalhadores especializados, especialmente em áreas como inteligência artificial e cibersegurança. Ao mesmo tempo, levantamento da Serasa Experian baseado no Guia Salarial 2026 da Robert Half aponta que engenheiros de inteligência artificial podem receber entre R$ 19,5 mil e R$ 27,1 mil mensais, conforme a experiência e o perfil da vaga.
A dificuldade de contratação atinge diretamente funções essenciais ao desenvolvimento tecnológico. Segundo pesquisa da Ford em parceria com o Datafolha, 31% das empresas apontam engenheiros de software entre os profissionais de TI mais difíceis de recrutar.
Para Dhiego Soares, presidente do Global Tech Institute, associação voltada à educação tecnológica e ao desenvolvimento de talentos para os mercados nacional e internacional, a diferença entre a demanda empresarial e a disponibilidade de profissionais ajuda a explicar a valorização das especializações.

“A aparente contradição entre a falta de profissionais e os salários elevados está relacionada à distribuição das competências no mercado. Existem oportunidades com remunerações expressivas para quem reúne conhecimentos técnicos específicos, mas as empresas enfrentam dificuldades para encontrar pessoas preparadas para determinadas funções. O desafio está em ampliar a formação de talentos e aproximar o desenvolvimento profissional das necessidades reais do setor”, afirma.
Segundo o executivo, a expansão das tecnologias digitais exige atualização contínua e uma formação capaz de combinar fundamentos técnicos e experiência prática. A qualificação alinhada às demandas empresariais pode ampliar as oportunidades de ingresso e progressão na carreira, além de contribuir para reduzir a distância entre as vagas abertas e os profissionais aptos a ocupá-las.
“Os salários mais altos mostram o valor que o mercado atribui a determinadas competências, mas essas oportunidades exigem preparação consistente. O Brasil precisa fortalecer a educação tecnológica para formar mais profissionais e permitir que um número maior de pessoas acesse as carreiras em expansão. Esse movimento beneficia os trabalhadores, amplia a capacidade de inovação das empresas e contribui para a competitividade do país”, conclui.
A dificuldade de contratação atinge diretamente funções essenciais ao desenvolvimento tecnológico. Segundo pesquisa da Ford em parceria com o Datafolha, 31% das empresas apontam engenheiros de software entre os profissionais de TI mais difíceis de recrutar. Para Dhiego Soares, o dado reforça a urgência de ampliar a formação especializada e preparar talentos para sustentar o crescimento e a inovação do setor.
PREZZ COMUNICAÇÃO




